logotipo
35 anos de rock'n'roll

Conheça nossas redes sociais!

Música do Dia


THE VINTAGE CARAVAN - On The Run

  • Single do Babymetal dá prévia do álbum

    Terça, 23 de abril de 2019
  • Sepultura é barrado no Líbano acusado de “satanismo”

    Segunda, 22 de abril de 2019
  • 30 anos do disco clássico de Keith Richards

    Segunda, 22 de abril de 2019
Erro
  • JFolder::files: Caminho não é uma pasta:

Metal All Stars: Zakk Wylde, Max Cavalera e mais em São Paulo

METAL ALL STARS

Espaço das Américas, SP/SP (22/11/2014)

 

Texto por Leonardo Moraes e fotos por Pati Patah

 

A ideia  em si do projeto Metal Stars não é ruim e parece ter funcionado bem nos países que essa turnê passou de forma intercalada desde o inicio desse ano. No Brasil não podemos dizer que o evento não funcionou, funcionou aos trancos e barrancos considerando que a produção não teve um resultado final esperado pelos fãs, marcada por cancelamentos de última hora, péssima logística e cronograma das atrações.

 

Um dos artistas mais esperados para atração seria Cronos, frontman do Venom. O mais estranho é que Cronos soltou uma nota na página do Venom no Facebook, dando a entender que ele nem sequer sabia sobre essa apresentação em São Paulo, conforme texto a seguir:

 

"Eu quero deixar bem claro às nossas dedicadas legiões latinas, que estes são shows exclusivos, portanto não acreditem em qualquer rumor sobre minha aparição nos shows do Metal All Stars na América do Sul. Eu não irei me apresentar em qualquer dessas datas, eu apenas tocarei ao vivo nos shows exclusivos e impressionantes como headliner listados abaixo, ok? Vou ver todos vocês em breve para o real caos do black metal! Yeah!”

 

A produção do Metal All Stars soltou uma nota na véspera do show justificando o cancelamento de Cronos, assim como o de Chuck Billy (Testament), Joey Belladonna (Anthrax) e Gus G. (Ozzy Osbourne) como "divergências comerciais" com o empresário responsável pela venda da turnê mundial do projeto, o americano Gabe Reed.

 

O resultado disso não poderia ter sido mais catastrófico: gente que deixou pra comprar o ingresso de última hora desistiu de ir ao evento, quem havia comprado fez devoluções de ingressos a toque de caixa, outras pessoas foram pegas de surpresa com a informação dos cancelamentos na hora do evento. Foi triste ver fãs com a camiseta do Venom que não sabiam que Cronos não se apresentaria até depararem com o cartaz na porta do Espaço das Américas.

 

Sem mencionar números exatos, tudo isso contribuiu para uma visão de um Espaço das Américas, considerada uma das poucas casas gigantescas para shows de grande porte em São Paulo, com uma frequência que não chegou nem perto da metade da capacidade máxima que a casa tem. Para se ter uma idéia melhor, eu, como credenciado pela ROCK BRIGADE, transitava livremente entre a área VIP e a pista comum sem nenhum sufoco ou empurra-empurra, dada a quantidade imensa de espaços vazios que tinha pela casa.

 

O Metal All Stars ficou bem perto de ser o fiasco de 2014, mas felizmente isso só não ocorreu graças aos esforços das bandas de aberturas e de Zakk Wylde (Black Label Society, ex-Ozzy Osbourne), Max Cavalera (Cavalera Conspiracy, Soulfly), David Ellefson (Megadeth), Geoff Tate (ex-Queensrÿche), Blasko (Ozzy Osbourne), Kobra Paige (Kobra and the Lotus), Vinny Appice (ex-Black Sabbath e Dio), James LaBrie (Dream Theater) e Ross the Boss (ex-Manowar), apesar  do baterista Carmine Appice não ter aparecido e nem ter sido mencionado antes que não compareceria também.

 

Um detalhe positivo foi a pontualidade da primeira banda de abertura a entrar no palco, o Capadocia. Banda de Santo André, cidade do ABC paulista, formada por ex-integrantes do  Retturn e na ativa desde 2011. Mesmo a banda ter dado uma amostra do excelente trabalho do seu único álbum Leader’s Speech, o Capadocia só empolgou a plateia com os covers de Metallica e Slayer.

 

A segunda banda de abertura foi o Project46, que entrou no palco perto das 22h30. A banda é de São Paulo, e está na ativa desde 2008, quando começou a fazer covers de Slipknot. Atualmente o Project46 tem dois álbuns lançados e já participou de shows ao lado de Cavalera Conspiracy. Visualmente e musicalmente falando a banda lembra muito mais o extinto Pantera do que o Slipknot e eram notáveis os esforços do vocalista Caio MacBeserra nas suas performances de palco como frontman agitando a visível platéia morna que parecia desconhecer a banda, apesar do Project46 estar relativamente há um tempo na cena.

 

A entrada do Korzus no palco as 23h35 mudou totalmente o cenário e o clima até então morno do Espaço das Américas, parecia até mesmo que o público que estava ali tinha mudado, afinal de contas o Korzus está há 31 anos na estrada e dispensa maiores apresentações. Mesmo com álbum novo recentemente lançado intitulado Legion, foram tocadas só três músicas, o Korzus se concentrou mais nas canções antigas. Infelizmente o lendário baixista Dick Siebert sofrera um acidente alguns dias antes do show e foi obrigado a fazer uma cirurgia no braço direito. Para substituir a altura e as pressas, o Korzus convocou um ex-integrante, Marcelo "Soldado" que gravou as guitarras no álbum KZS de 1995 e que também tocava na banda de hardcore Treta ainda no final dos anos 90. A substituição foi certeira e não podia ter sido melhor, mesmo Soldado sendo um guitarrista, ele conhecia todas as partes do baixo das músicas e conseguiu pegar o set list todo do show de véspera, apesar de ter tido apenas um dia para ensaiar como baixista, segundo ele mesmo em conversas de bastidores com a ROCK BRIGADE.

 

O Korzus abriu o show com Lifeline do novo álbum da banda. Antes da segunda música, o vocalista Marcelo Pompeu interagiu com a platéia brincando com a substituição de Dick Siebert, relatando o acontecido e disse "Ele não morreu, não, ele está aqui", aí Dick surge no palco e participou das próximas duas músicas Raise Your Soul e What Are You Looking For, hora como backing vocal, hora agitando um "air bass". Depois foi a vez de uma outra música do Legion chamada Bleeding Pride. Na sequência Never Die e depois Correria, que teve a participação de Bill Hudson e o refrão foi praticamente cantado por todos da banda. Nesse ínterim, Marcello Pompeu interagindo novamente com a plateia falando dos últimos acontecimentos do país, mostrando que o Korzus é uma banda que tem consciência social. Após breve discurso foi a vez de Agony e Internally, na minha opinião, Internally do álbum KZS tem uma pegada mais Slayer de todas as músicas do álbum e me lembra a época em que eu assistia a banda numa pequena casa de shows na zona sul de SP chamada Black Jack, hoje em dia já extinta. A apresentação do Korzus terminou às 00:30 com as músicas Guilty Silence, Truth e a faixa título do novo álbum, Legion.

 

Meia hora depois do fim da apresentação do Korzus as cortinas se abrem, já 01:05 da manhã a visão do palco já era outra: David Ellefson, Ross the Boss e Rodrigo Oliveira (Korzus) capitaneados pela cantora Kobra Paige, vocalista da banda canadense Kobra and the Lotus. Um misto de empolgação e uma postura um tanto morna tomou conta do Espaço das Américas novamente, talvez por Kobra Paige não ser tão conhecida no Brasil como Doro Pesch, por exemplo. Quem se empolgou com os covers executados no palco de Kings of Metal, Fear of The Dark, Hail and Kill e Symphony of Destruction, certamente foi devido a presença de David Ellefson e Ross no palco do que propriamente Kobra Paige cantando essas músicas.

 

A segunda parte do line up fez parecer a apresentação de Kobra Paige um grande show. Agora foi a vez de Vinny Apice, Geoff Tate e Kiko Loureiro do Angra de estarem no palco. Foi muito chato e cansativo assistir a apresentação de Geoff Tate! Ainda por cima ele errou a entrada e letra de Neon Knights do Black Sabbath – som que ele gravou com o Queensrÿche em Take Cover (2007), eu tive a sensação de que tudo ali foi no improviso ou combinado de última hora, algo do tipo "Vamos se juntar ai e tocar essa e esta música". Isso ficou nítido principalmente na musica Jet City Woman do Queensrÿche onde uma deslocada Kobra Paige se juntou a banda pra cantar. Felizmente foram só essas duas músicas no segundo set.

 

A terceira parte foi a vez de  um acelerado James LaBrie, vocalista do Dream Theater, entrar no palco ao lado de Baffo Neto (Capadocia), Felipe Andreoli (Angra), Vinny Appice e Rodrigo Simão (tecladista do Dr. Sin). Não sei em quem James LaBrie estava pensando na hora das duas músicas apresentadas, mas ele cantou num tom agudo quase que insuportável, um misto de Ian Gillan com os falsetes do King Diamond que acabou não dando muito certo essa fusão para os ouvidos de quem não é fã do Dream Theater, mas a apresentação em si foi melhor que a anterior. Tocaram I Got You, música de sua carreira solo (do álbum Impermanent Resonance). A segunda música foi Pull Me Under, do Dream Theater onde Rodrigo Oliveira do Korzus e Bill Hudson voltaram para tocá-la. Um fato curioso nessa apresentação foi que James LaBrie estava muito acelerado, parecia que queria ir embora logo do palco porque tinha marcado algum compromisso fora dali e estava atrasado, falava depressa com a plateia entre as duas músicas, de tão acelerado que estava que no final tomou um chá de cadeira ao anunciar Max Cavalera como a próxima atração e o Max simplesmente não entrou no palco. LaBrie ficou com cara de cachorro que caiu da mudança olhando para o palco e para a plateia mas uns dois minutos depois desse silêncio constrangedor que LaBrie acabou criando para si mesmo, Max Cavalera apareceu.

 

Foi um consenso geral, a apresentação do Max Cavalera foi a única mais bem recebida por todos e que realmente contagiou a plateia, parecia até mesmo que o show era dele. Aparentemente umas falhas de leve na voz quando interagiu com a plateia dizendo que era uma honra e que estava muito feliz de estar ali, Max é um show a parte e mandou bem. Também fizeram parte dessa apresentação os músicos Rodrigo Oliveira, Baffo Neto, David Ellefson e Ross the Boss, tocaram Roots, dos bons tempos de Max a frente do Sepultura, Eye For An Eye do Soulfly, e encerrou com Ace of Spades do Motörhead.

 

Após a breve e excelente apresentação de Max, as cortinas se fecharam e levou quase meia hora para começar o quinto e último set dessa sofrida noite com Zakk Wylde, Blasko e Vinny Appice. Como o Max não anunciou a próxima atração saindo simplesmente do palco, parece até loucura o que houve mas boa parte do público já tinha deixado o Espaço das Américas nesse horário, pareciam que tinham se esquecido de Zakk Wylde ou não queriam vê-lo, já se passavam das duas e meia da manhã, o pouco público que ficou estava visivelmente exausto.

 

A apresentação do Zakk no geral foi excelente, honrando o legado de Black Sabbath com Into The Void, Fairies Wear Boots, N.I.B., Snowblind e terminando com War Pigs. Porém, seus malabarismos e intermináveis solos deixaram o set um pouco monótono e cansativo demais para aquele horário.

 

O Metal All Stars simplesmente acabou já perto das 4 da manhã com a saída dos músicos do palco, achei que ficou faltando uma apresentação épica com todos os músicos reunidos no palco, mas provavelmente, artistas como James LaBrie já deveriam estar no aeroporto a uma hora daquelas e não estava nem preocupado com o público.

 

E por falar em horário, esse foi um dos fatores que o Metal All Stars será lembrado negativamente pelo público. Apesar de ter sido num sábado, nem todo mundo possui veículo ou dinheiro para pagar táxi de madrugada. A logística de três bandas de abertura também não foi uma boa escolha. Independentemente delas terem sido ótimas e suprido os desfalques  ocorridos, no final contribuíram para estender o horário do show. Lembrando a todos que é praticamente impossível substituir artistas internacionais de última hora por problemas de agenda, distância e tempo; no final, tanto a produtora como os fãs ficaram numa verdadeira saia justa o que periga que o Metal All Stars não se repita tão cedo por aqui.

 

 
Próximos Shows
Sem Eventos
Busca no site