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Edição do Setembro Negro em Belo Horizonte louvável e impecável
Setembro Negro
Sarcasmo, Ragnarok, Belphegor e Morbid Angel
Belo Horizonte/MG (10/09/2011)
Texto por Ed França e fotos por Sergio Wildhagen Vilhena
A mais recente versão do festival Setembro Negro passou por Belo Horizonte com uma torrente de acontecimentos que só eternizou essa edição do festival. Todas positivas, é claro. Fomos agraciados com as apresentações das bandas Sarcasmo, Ragnarok, Belphegor e Morbid Angel.
Com horário do show antecipado às pressas, as bandas Sarcasmo e Ragnarok foram prejudicadas, encurtando demais seus set lists. Muita gente ainda estava de fora do local e perdeu a apresentação louvável da banda mineira e dos noruegueses.
Belphegor também fez uma apresentação reduzida, mas impecável. O local já
estava completamente lotado, mesmo assim muita gente que ainda estava na fila para entrar, perdeu parte da monumental apresentação.
A banda despejou um dilúvio de temas que deixou o público imerso na massa sonora, pesada e bem executada. A brutalidade do Belphegor ao vivo é de ordem grandiosa. Numa apresentação impecável, foi perceptível a emoção dos músicos para com a platéia. A resposta foi dada pela horda que cantava num bloco único de vozes os hinos da banda austríaca.
O tão esperado show do Morbid Angel
Mas não houve saudosismo. Essa apresentação encerrou no limbo as especulações infantis e primitivas de quem esperava pouco dessa fase do Morbid Angel. Destruiu o núcleo dessas informações e dissipou o “mal estar” que envolveu as notícias que tentaram manchar esses 20 anos de trabalho.
O baixista e vocalista David Vincent ficou um bom tempo longe da banda, de 2003 até 2011. Some isso ao polêmico novo álbum da banda, Illud Divinum Insanus, que traz o primeiro lançamento do grupo e o retorno de Vincent desde último disco em 1995, Domination. Um disco que mostra um foco para experimentações que vão além do que as bandas desse gênero costumam pautar. Para fechar a gama de eventos que alimentavam essas conversas moles, sai o baterista Pete Sandoval, afastado por agravante de saúde (após uma extensa cirurgia nas costas por conta de uma hérnia de disco). Entra Tim Yeung para honrar as baquetas. E o faz com a fúria de um implacável deus. Ao vivo sua atuação tem plasticidade e maestria. Brindou com louvor a cadeira de Pete Sandoval.
O show mostrou que essa monstruosa sombra de especulações pífias era só
imaginação negativa dos fracos. Num set list estarrecedor, que privilegiou os clássicos (coroados pelos discos Blessed Are The Sick, Covenant e Altar Of Madness), nem as novas e tão temidas músicas estiveram em desarmonia com as antigas.
A empatia de Vincent com o público foi o ponto alto dessa passagem vitoriosa do Morbid Angel por BH.
O direcionamento que seguiu a banda, tendo como ponto de partida uma produção artística apontada para a evolução, teve efeito concreto e dinâmico, deixando os fãs tradicionalistas absolutamente silenciados, com as bocas costuradas pelo impacto do show e músicas novas. O silêncio desses, que engoliram à força esse exemplo do metal extremo em criativa expansão, mal foi percebido. A outra parcela de fãs, que aprova experimentações ousadas e caminhos inteligentes para a música extrema se preocupou em delirar, não só com o material novo do Morbid Angel, mas com o show incrível e inesquecível. Equilibrou numa balança justa a trajetória de uma banda que há décadas cospe na cara dos seus críticos a máxima que: mudanças, coragem e inteligência, só materializam um magnífico resultado.
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