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Roxette arrastou para o Credicard Hall uma legião de fãs entusiasmados
ROXETTE
Credicard Hall, SP/SP (10/05/2012)
Texto e fotos por Evandro Camellini
Uma noite de nostalgia! A dupla sueca de Pop Rock Roxette (formada por Marie Fredriksson nos vocais e Per Gessle também vocais e guitarra) aportou em nossas terras, um ano após a última passagem por aqui . Naquela oportunidade foi anunciada como a “turnê de despedida” da banda, o que levou muitos fãs a comoção, e aqueles que perderam o show (incluo-me nesse grupo) as lamentações. Logo, saber que tudo não passou de boato, e eles estariam novamente e tão rapidamente se apresentando para nós trouxe um ânimo novo a todos os citados.
Sendo uma das mais influentes bandas do estilo desde seu surgimento, ainda em meados dos anos 80, o Roxette arrastou para o Credicard Hall uma legião de fãs entusiasmados, que lotaram a casa, mesmo sendo uma quinta-feira, e em todo o tempo de duração do show (algo em torno de 1h45) gritou, cantou, vibrou e chorou com a avalanche de hits clássicos que se pôde ouvir. O Roxette é daquele tipo de banda que, se você cresceu nos anos 80/90, ouvia rádio, via programas de clips, você vai ao show imaginando conhecer pouco, e sai acreditando ser fã de longa data. É o tipo de show que te leva numa viagem ao tempo, que te faz recordar passagens da vida, que te transporta a uma outra dimensão naqueles minutos em que se está presenciando o espetáculo.
E foi por volta de 22h05 (com 35 minutos de atraso) que a banda subiu ao palco com a música Dressed for Success. Ao primeiro momento, para quem nunca os tinha visto ao vivo (e eu estava vendo de muito perto!), chega a ser chocante perceber como Marie envelheceu. Aquela linda loira dos clips, hoje se tornou uma jovem senhora. E uma guerreira, diga-se. Depois de todos os problemas de saúde enfrentados, ainda ter disposição, força e vontade de sair em turnês mundiais, apenas isso já seria digno de todos os aplausos! Per, embora um tanto quanto mais “amassado”, continua aquele que nos acostumamos a ver nos vídeos: muita vibração, muito agito com sua guitarra. Sua voz continua fiel ainda, seu timbre pouco mudou. O que não se pode dizer de Marie, que já não é mais capaz de alcançar as notas mais altas. Em muitos momentos, as músicas são executas alguns tons abaixo, em outros ela utiliza de falsetes para reproduzir alguns agudos. E em todas o andamento pode-se perceber levemente mais lento. Tudo isso mostra a união, força e paixão dessa dupla, que preferiu adaptar todo um trabalho de anos a uma nova condição, do que simplesmente encerrar suas atividades enquanto sabiam ainda havia lenha para queimar!
O show seguiu-se com músicas como Sleeping in My Car, Silver Blue e Stars, onde o que víamos era uma banda de apoio (formada por Christoffer Lundquist - guitarra, que diga-se de passagem foi um show a parte, com muita qualidade musical e interação com o show como um todo! Clarence Ofwerman - piano, Helena Josefsson – backing vocal, Magnus Börjesonon - baixo e Pelle Alsing – bateria) coesa ao extremo, que em momento algum se limitou a fazer as vezes de side man. Ao chegar em Perfect Day, tivemos o momento “balada” do show, com Things Will Never be the Same e It Must have Been Love em sequência, e aqui o primeiro momento de explosão da platéia na noite, com o primeiro super clássico executado. Mudanças na iluminação, no background do palco, e o show retomou o pique. Mais duas músicas “menores”, e aí a sequência de hits que todos esperavam: Fading Like a Flower, Crash! Boom! Bang! (cantada em sua primeira parte por Per, sozinho com sua guitarra), How Do You Do? (e mais um momento de explosão na platéia, alimentado mais ainda por bolas com o logotipo da banda que foram soltas sobre o público), Dangerous e então uma breve pausa, para que a banda fosse apresentada. E aí, mais um momento célebre do guitarrista Christoffer, onde ele executou o hino nacional brasileiro, cantando por todos durante sua execução e plenamente ovacionado e aplaudido ao fim dele! Joyride para manter o clima na estratosfera e a banda faz sua “finalização de show fake”. Agradecem, se despedem, mas todos sabiam ainda ter mais por vir.
Alguns minutos depois, lá estavam de volta ao palco, e executando mais um hino: Spending my Time. Essa teve sua primeira parte cantada a capela pela dupla e o público, e então toda a banda junto na sequência. The Look, mais uma pausa, mais uma ameaça de deixar o palco, e todos começaram a pedir em coro Listen to Your Heart, talvez o maior clássico da banda. E, para delírio geral dos presentes, pedido aceito! Confesso essa ter sido ouvida na íntegra em lágrimas! Para fechar, Church of Your Heart, com toda a banda posicionada a frente do palco, Clarence no violão, Per apenas nos vocais, Pelle apenas com um pandeirinho meia lua. E foi assim que a banda encerrou sua memorável apresentação.
Ao sair da casa, ouvi pessoas que estiveram no show do ano passado dizendo que este foi melhor, mais Rock`n Roll. Eu carregava a nítida sensação de alma lavada, após décadas de espera para conferir alguns hinos ao vivo. Marie não é nem sombra mais do que já foi, mas talvez hoje ela mereça mais ainda o respeito de todos, apenas por estar. E a banda em si funciona perfeitamente no palco, tanto como músicos como showmen. Uma grande noite, um grande show. Memorável!
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