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Matanza e Motorocker lotaram o famoso Bar Opinião em Porto Alegre
MATANZA e MOTOROCKER
Bar Opinião, PoA/RS (17/06/2012)
Texto por Caesar Cezar de Cesar e fotos da banda de abertura (Zerodoze) por Daniel Lacet
Domingo frio e chuvoso em Porto Alegre, um dia típico para evitar programas noturnos, principalmente por anteceder a famigerada segunda-feira, quando começa tudo outra vez. No entanto, mesmo com estes contrapontos, mais uma vez o Bar Opinião é lotado pelo público rockeiro de Porto Alegre, certamente fãs devotos do Matanza, mas que desta vez dividia o palco com o Motorocker, como dizia no cartaz: Pela primeira vez as duas bandas juntas em Porto Alegre. Realmente foi interessante a inclusão desta banda em um show que vem se repetindo tanto, chegando a mais de uma vez por ano.
Como o próprio Jimmy disse no show, seu público fiel já transformou o Opinião em um Clube, de canalhas ou não, mas certamente um Clube com tanta assiduidade que já foi anunciada mais uma data para o final deste mesmo ano, dia 2 de dezembro, quando teremos a banda mais uma vez no mesmo palco. O que fica é a dica de incluir novamente outra banda de qualidade como foi o caso do Motorocker. Infelizmente não cheguei a tempo de curtir as bandas locais de abertura, mas fiz questão de conversar com os presentes para saber como havia sido a recepção do público e, como não poderia deixar de ser, as duas bandas agradaram muito, não deixando nada a desejar, aquecendo bem a galera com apresentações curtas, coesas e bem conduzidas, exatamente como na última vez, quando também foram “open acts”, dezembro do ano passado. Desta forma acho que não perdi novidades, só a oportunidade de prestigiar meus amigos em um palco renomado na cena gaúcha.
Neste momento gostaria de atentar para um fato que tem me impressionado ultimamente: A pontualidade com que os “espetáculos de rock” vem sendo regidos em Porto Alegre. Muito diferente de alguns anos atrás, hoje começam rigorosamente no horário marcado e não são raros os casos de iniciarem antes do que foi divulgado nos cartazes. Isto é uma evolução muito agradável, mas infelizmente um velho rockeiro como eu, ainda acostumado a atrasos fenomenais, termina perdendo alguns minutos, ou mesmo o show inteiro das bandas de abertura, como foi o caso desta noite.
Por volta das 21 horas, iniciou o show do Motorocker, neste momento olhava ao meu redor e todos amigos se entreolhavam com um ar de satisfação por estar ouvindo um som tão agradável e verdadeiramente rockeiro, era tão AC/DC, que se fechasse os olhos poderíamos imaginar o velho Brian Johnson cantando em português. Esta ótimo, mas não ficava só nesta influência, uma das músicas, acho que “Rock na Veia”, parecia ser uma versão brasileira de “Born to be Wild”, diferente claro, mais focada no baixo, mas não tinha como não lembrar. Alguns podem achar isto ruim, mas para mim é um prazer ouvir algo e lembrar imediatamente do que há de melhor no estilo mas com uma nova cara, totalmente brasileira. Letras muito irreverentes e uma animação em palco que contagiava completamente o público. Infelizmente eu não conhecia completamente o repertório da banda, mas já tinha ouvido muitas vezes o hit “Igreja Universal do Reino do Rock”, que é certamente um clássico e o público parecia estar no mesmo “barco” que eu, pois vi muitas pessoas cantando esta música estrofe por estrofe, junto com a banda, enquanto outras músicas não havia o mesmo acompanhamento.
Houve um momento muito divertido quando o vocalista Marcelus, mesmo já tendo demonstrado muito carisma com o público, mas ainda tentando mais interação com o mesmo, pede que algumas garotas subam ao palco para dançar com a banda ao som de “Bem Estar”, foi engraçado ver as candidatas timidamente surgindo no palco, acredito que ele esperava mais das gaúchas, mas não é bem assim quando o público não está preparado. Infelizmente o Motorocker ainda não é tão conhecido por esses pampas e a diversão terminou com “moshs” tímidos das moças, provavelmente de volta aos braços de seus namorados furiosos (risos). Tive a oportunidade de conferir muitas músicas legais e novas para mim, com temas irreverentes e executadas sob uma roupagem que eu parecia já conhecer. “Blues do Satanás”, “Tocando o Horror”, “Acelera e Freia” e “Salve a Malária” fizeram parte do set que eu já havia dado uma boa sacada pela internet. A apresentação foi finalizada com muita emoção ao som de “Let There Be Rock” do AC/DC, como não poderia deixar de ser.
Logo após a troca de equipamentos, antes da entrada do Matanza em palco, eis que surge a grande surpresa da noite, o anúncio da participação de Marcello Caminha, um músico nativista, isto mesmo, um cantor e compositor do folclore deste estado e certamente algo inesperado para muitos. Para mim foi fantástico ver o Opinião inteiro cantando o Hino Rio-Grandense com grande entusiasmo e, como se não bastasse, logo após foi executada a canção “Eu Sou do Sul”, que novamente fez muitos dos presentes expressarem seu amor pela sua cultura. Gostaria inclusive de salientar que não sou a favor de nenhum movimento separatista, pelo contrário, acho que este tipo de atitude é de certa forma um convite a integração dos visitantes de outro estado em conhecer nossa cultura que também é muito bonita, mas também é Brasileira. Muitos paises misturam seu folclore com o rock’n’roll, por que não fazemos mais disto também?
Ao recordar estes detalhes do show, como a pontualidade do evento, a abertura de espaço para pelo menos duas bandas locais, a inclusão de uma banda de qualidade no set principal e também este momento histórico da homenagem ao nosso folclore, preciso deixar aqui meus parabéns a Pisca Produtora, junto a Opinião Produtora, que conseguiram transformar um possível show repetitivo em um grande evento de rock e cultura sem deixar nada a deseja. Diria que só não foi perfeito devido a pequenas falhas de som, mas que não diminuem a qualidade como um todo e fazem parte dos imprevistos que todo evento termina tendo que lidar e as vezes não tem como evitar.
Então, logo após essa breve distração, bem humorada e inspiradora, entra em palco o Matanza, com uma introdução instrumental para dar o clima da entrada triunfal, porém em palco estava apenas as cordas e a bateria, poucos minutos depois, entra o gigante Jimmy, gesticulando de todas as formas possíveis, como se estivesse regendo uma orquestra insanamente e isto levou o público ao delírio absoluto, muitos gritos e braços ao ar com expressões de extrema euforia, realmente empolgante a entrada e não somente por parte da banda, pois o barulho da plateia acho que chamou mais atenção ainda. É impressionante como o Matanza sabe a formula certa para por o público no clima certo, pois iniciar um show com uma música intitulada “Chamado do Bar” e gritar várias vezes: “vem pro bar, vem pro bar, vem pro bar”, termina animando os presentes que atenderam ao mesmo chamado que ele ao chegar no palco.
Como se não bastasse essa entrada sincronizando o clima do público com a banda, também foi exercida a estratégia de “afogar” os presentes com uma poderosa onda de hardcore rápido, barulhento e sem tempo para respirar, tocando uma música após a outra. Depois de algumas músicas já bem conhecidas, sem anúncios desnecessários e muita energia se esvaindo do público, a banda resolve tocar o que talvez seja seu maior hit: “Bom é Quando Faz Mal”. É impossível não se impressionar com o canto uníssono dos fãs por quase metade da música, sem nenhuma interferência por parte da banda, o que volta a confirmar a destreza do Matanza em relação a momento e clima de suas música.
Novamente um momento inesperado no show, algo que realmente fez as pessoas pensarem naquele instante, principalmente por vir de uma banda como o Matanza, que incita tantas ideias politicamente incorretas, no entanto, em um momento de pausa, Jimmy faz uma reflexão que deixou muitos boquiabertos, ele explica que todos tem o direito de se intoxicar com a substância que quiser, mas não afetar os outros, quer se matar que se mate sozinho e então homenageou um amigo muito querido e conhecido na cena metal de Porto Alegre, Thiago Obregon, que a poucos dias foi notícia ao morrer devido a um acidente de carro quando voltava do trabalho, obviamente por um bêbado irresponsável. Com as palavras escolhidas em meio a palavrões, porém tratando um tema muito relevante, Jimmy inicia a música “Em Respeito ao Vício”.
Após mais uma dezena de músicas, já passando mais de 1 hora e meia de show, o front-man volta a brincar com seus colegas de banda sobre as músicas e significados das letras, como já havia feito em outros momentos do show, mas desta vez estava anunciando a música “Clube dos Canalhas”. Neste momento e como já foi comentado, ele anúncia seu próximo show, fazendo com que novamente o público encha o peito para gritar como que agradecendo a toda massa sonora já executada e a promessa de mais em menos de 6 meses. Neste momento já parecia uma festa entre amigos, músicas antigas e mais sujas ainda sendo apresentadas, a banda sem camisas em palco, talvez para acompanhar as centenas de fãs que perambulavam dentro do bar da mesma forma, dúzias e dúzias de palavrões para agradecer a presença dos fãs e ao som uma frase típica de festa: “Nós estamos todos bêbados. Bêbados de cair. E todos que não estiverem bêbados. Dêem o fora daqui”. Então, quase 1 hora da manhã este “espetáculo” chega ao seu fim, deixando certamente a sensação de satisfação na maioria absoluta dos presentes e provando a veracidade de uma frase dita antes pelo Motorocker: “Que se explodam essas modas do inferno, estas drogas passam mas o rock é eterno”.
PS: Não temos fotos deste evento pois o nosso fotógrafo teve problemas com o equipamento dele no show. O fotógrafo Daniel Lacet gentilmente cedeu algumas fotos da banda de abertura Zerodoze para publicarmos junto à resenha. Confira:
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