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Lacuna Coil: mesmo incompleta, banda lota Carioca Club em São Paulo
LACUNA COIL
Carioca Club, SP/SP (02/03/2013)
Texto e fotos por Evandro Camellini
Uma das partes mais complicadas de nosso trabalho (e não é a primeira vez que cito isso em uma resenha), é quando somos escalados para cobrir um show de uma banda daquelas que classificamos como “do coração”. Sempre fica aquele misto de sensações, onde você confronta seu senso de profissionalismo com o amor e paixão que aquela que está no palco nos desperta. Porém, impossível fugir do fato de que se trata de um prazer enorme estar numa situação dessas! E foi assim que me dirigi até a já habitual casa de shows paulistana Carioca Club, para ver pela terceira vez essa banda que compõe parte da trilha sonora da minha vida.
A “Dark Legacy Tour”, que é uma tour montada para comemorar os anos de estrada da banda até aqui, tem como intenção apresentar um rebusque de todos os álbuns lançados. Antes da vinda da banda para a América do Sul, o último show nessa formatação havia sido apresentado na Itália, casa da banda, e contava com um set list de vinte e quatro músicas, e uma surpresa: um pequeno set acústico de cinco músicas, gravadas de forma “plugada” originalmente. Sim, a expectativa gerada para esse show se tornou muito grande! E o que nós tivemos por aqui foi praticamente o mesmo show que esperávamos.
Com lotação quase máxima da casa e dentro do horário anunciado, a banda sobe ao palco, mas não completa. Criz Mozzati (bateria) e Marco “Maki” Coti Zelati (baixo) não puderam vir. Criz está envolvido com problemas de saúde de sua esposa, e Maki tratando uma tendinite. Criz Foi substituído por Ryan Blake, e o baixo ficou a cargo do sampler. O resto da banda era a mesma que todos já se acostumaram: Cristina Scabbia e Andrea Ferro (vocal), e Cristiano “Pizza” Migliore e Marco “Maus” Biazzi (guitarra). E o que esse time fez nos cem minutos que dominou o palco foi algo que podem faltar palavras! Não sei se a expectativa havia diminuído pelo fato da cozinha original não ter vindo, assim como ver que o set list havia sido encurtado em três músicas. A verdade é que a banda não fez questão de esconder que estava cansada, inclusive dizendo que essa parte da tour estava extremamente desgastante. Mas, de alguma forma, o público presente deve ter abastecido o quinteto com toda a energia necessária. Pois o show não perdeu o pique em momento algum!
I don’t believe in tomorrow foi a escolhida para abrir o show, seguida da dançante e energética I won’t tell you e então Kill the Light, uma das melhores músicas entre as recentes. Self Deception seguiu, e deixou um gostinho de “quero mais”, pois sabíamos que eles vinham executando também, do álbum Comalies, Entwined, música que caiu para esse show. Uma pena. Na sequência, o primeiro “hino” da banda, obviamente cantado em uníssono: Heaven’s a Lie. To the Edge, música muito forte ao vivo, e então mais dois hinos seguidos: Senzafine e Swamped. A energia sentida no local nesse momento era incrível! Fragile veio fechar a primeira parte “plugada” do show, e é incrível como essa música continua funcionando perfeitamente, ano após ano! Pausa anunciada para “algo totalmente diferente e especial”, que sabíamos ser a parte acústica.
Não mais que dez minutos se passaram, quatro cadeiras colocadas a frente do palco, e então “Pizza”, “Maus” e Cristina voltam e executam Falling. Essa sempre foi uma das músicas mais aguardadas pelos reais fãs da banda, em qualquer show. E sei que vi muita gente chorando nesse momento, através de minhas próprias lágrimas. (rs). Ao final desta, Cris chama Andrea para o palco e então executam Closer. Em minha opinião, essa música perdeu muito transformada em acústica. Mas as duas que seguiram casaram perfeitamente com o formato, e montaram um dos melhores momentos do show: Within Me e Shallow Life, que foi anunciada como “a última música do set. Do set acústico, logo depois voltaremos com o restante do show!”
Pausa para desmontar o set acústico, e a banda volta com Our Truth (que até a última tour era a música que encerrava os shows) emendada na Upsidedown, que funcionou muito bem ao vivo. Na sequência, um dos momentos mais fortes do show, após um belo discurso de Cris sobre o nascimento dessa música: End of Time. Mais lágrimas puderam ser vistas. Survive, com seu refrão marcante. E então uma música oferecida a “todos que necessitam de uma revanche causada por um coração partido”: Intoxicated. Grande música! Trip the Darkness seguiu e então Cristina pede que todos cantem com ela o refrão da seguinte. Ela pergunta, e o público responde: “Tell me Who you are” e ao apontar o microfone para a platéia, o Carioca tremeu ao som de “I’m Spellbound” produzido pela platéia. Era a deixa para essa excelente música, que certamente terá vida longa no set list da banda. E, oferecendo a seguinte e derradeira música a todos os amigos que já se foram, My Spirit fechou o show com a essência que fez o Lacuna Coil nascer: a melancolia. Lindo, apenas isso a dizer!
Sem sombra de dúvidas foi o melhor show da banda realizado em terras paulistas. Apesar de um terço da mesma não ter vindo, apesar do set levemente diminuído, o que todos tiveram ali foi algo inesquecível! Para os fãs recentes, muitas músicas atuais. Para os fãs antigos, clássicos de arrancar lágrimas. Músicas plugadas e acústicas. Em meio a uma tour extenuante. Se isso tudo não mostrou a força do Lacuna Coil no cenário Metálico mundial atual, certamente é por que alguém fez questão de não abrir os olhos! E principalmente os ouvidos!
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