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Cannibal Corpse: gás e carnificina no Circo Voador no RJ

CANNIBAL CORPSE, GANGRENA GASOSA E FÓRCEPS

Circo Voador, RJ/RJ (20/06/2013)


Texto por Marcos Garcia e fotos por Daniel Croce


A noite nos arcos da Lapa se encontrava tranqüila e com temperatura agradável, precedendo o show do Cannibal Corpse, que está em terras brasileiras na tour promocional do CD Torture, e que teve como bandas de abertura os cariocas do Fórceps e Gangrena Gasosa.


A casa foi aberta às 20h, e as pessoas que se encontravam em frente foram entrando calmamente, até que próximo às 22h, o quarteto Fórceps sobe ao palco e inicia sua apresentação de forma energética, apoiados em seu Death Metal brutal e técnico na medida certa, destruindo em músicas de seu CD Humanicide, e mesmo uma nova.


Doug Murdoch (vocalista) tem ótima movimentação e sabe se comunicar e agitar o público, bem como Fernando Alonso (guitarras) e Raphael Gabrio (baixo) tem boa postura, e Emmanuel Iván (bateria) é seguro e firme nos bumbos e baquetas. O grupo soa sólido, coeso e forte, fruto de sua experiência de 7 anos no underground.


A banda estava indo bem no palco, mas fruto de baderneiros infiltrados nas manifestações populares e da inaptidão das forças de segurança em lidar com situações extremas que começaram a ocorrer do lado de fora do Circo Voador, houve a explosão de bombas de gás lacrimogêneo no entorno da casa, que por ser aberta, foi exposta. Vários presentes passaram mal, com náuseas e vômitos, e o grupo foi forçado a parar seu set no meio. Após 20 minutos, com a dissipação do produto, a banda retornou e continuou o show, mas a empolgação do público ficou comprometida. Mas mesmo assim, foram aplaudidos efusivamente pelos presentes e deixaram uma excelente impressão.


Veio o intervalo, e enquanto a tristeza e perplexidade pelo ocorrido tomavam conta do público, que conversava sobre o ocorrido do lado externo do Circo Voador, podia-se ouvir claramente som de armas sendo disparadas e confrontos, mas mesmo assim, o Gangrena Gasosa sobe ao palco com o seu Saravá-Metal, uma mistura de Thrash, Crossover e alguns elementos tribais. Para quem ainda não sabe, eles se apresentam caracterizados como entidades de cultos Afrobrasileiros, e usando nomes das mesmas.


A turma estava curtindo bastante o trabalho do sexteto e alguns convidados que fizeram parte de suas formações anteriores, pois estavam divulgando o DVD Desagradável (que foi a base de seu setlist), mas como a noite estava sob tensão, sons de tiros e bombas se faziam presentes, e mais gás lacrimogêneo invadiu as dependências da casa, fazendo com que a banda saísse do palco e todos começassem a ter severos problemas de respiração, lacrimejando horrores e vomitando excessivamente. A enfermaria do Circo Voador ficou lotada de tantos fãs com problemas sérios.


Mais uma vez, após o ar se tornar mais respirável, Zé Pelintra (vocais), Omolu (vocais), Exu Caveira (guitarra), Pomba Gira Maria Mulambo (percussão), Pomba Gira Maria Padilha (baixo), e Exu Mirim (bateria) retornam ao palco, continuam o show, dando mostras de bom humor, mas novamente o estado de espírito do público estava comprometido.


Enfim, depois de um intervalo para a preparação do palco, eis que o Cannibal Corpse sobre ao palco, e desta vez, sem nenhum problema com gás.


George "Corpsegrinder" Fisher ficou mais parado diante do público, girando sua cabeça sem parar de forma selvagem (deve ser por isso que o pescoço dele é como é...), enquanto Alex Webster (baixo), Pat O'Brien (guitarras) e Rob Barrett (guitarras) ficavam mais parados e agitando, e o veteranos Paul Mazurkiewicz (bateria) dava seu show particular, e abriram com A Skull Full of Maggots, seguida de Staring Through the Eyes of the Dead e Edible Autopsy, quando finalmente George começou a interagir mais com o público, conversando e dando um tempo para os outros membros ganharem um gás (não o lacrimogêneo, mas fôlego mesmo), regendo como a platéia, falando com bom humor de sua coisa predileta na vida, relacionado-a diretamente com Addicted to Vaginal Skin (precisamos dizer qual é a coisa que ele mais ama depois disso?), An Experiment in Homicide, Sentenced to Burn, Gutted e Demented Aggression, com nova pausa e mais interação. Uma supresa para muitos fãs foi Disfigured, que há tempos não estava no setlist da banda, vindo então mais tijoladas em Evisceration Plague (bem cadenciada), Dormant Bodies Bursting e a clássica I Cum Blood, além de Make Them Suffer. A banda terminou o set, mas devido aos pedidos do público, retomaram a carga com a carnificina de Hammer Smashed Face, onde Alex mostra o porquê de ser tão respeitado como músico na cena, e o hino Stripped, Raped and Strangled, saindo do palco aplaudidos.


Mas que fique claro que antes da banda subir ao palco, houve apreensão por parte de todos os presentes, pois havia a desconfiança de que o Cannibal Corpse poderia não tocar, pois estavam na casa desde antes dos bombardeios de gás. Mas que fique aqui como testemunho da imprensa: o público do show nada fez de errado ou se meteu nos manifestos (ao contrário do que algumas redes televisivas andaram veiculando), mas pagou o preço da inaptidão da polícia em lidar com os verdadeiros baderneiros, e com a falta de senso democrático do poder público, já que os governantes andam preocupados com o despertar do povo para o real sentido da palavra "democracia". Um despertar que a maioria do público de Metal já tem por herança...


 
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